A Cara do Brasil – Um país decorativo ainda em 2020

Comentário no quadro A Cara do Brasil, da rádio CBN, em 11 de outubro de 2020 fala sobre a edição mais recente da pesquisa internacional Nation Brands Index. Este estudo de imagens internacionais de países mostra que o Brasil tem uma imagem positiva em termos de cultura e lazer, mas negativa em assuntos mais sérios, como política e economia.

É um resultado que reforça o que se vê há anos em pesquisas deste tipo, como discuti no artigo “Brazil is not (perceived as) a serious country”, em que analisei os resultados de 10 pesquisas de opinião globais sobre a imagem do Brasil.

Liderança queimada

Artigo publicado na coluna quinzenal da revista Problemas Brasileiros em 06/10/2020 fala sobre a mudança no papel do Brasil na política ambiental internacional.

O país que um dia foi uma das principais lideranças internacionais em políticas ambientais e ações contra o aquecimento global se tornou um pária. Em menos de dez anos, o Brasil passou de negociador-chave em acordos multilaterais e sede da Rio+20, um dos eventos mais importantes para as negociações de proteção da natureza mundial, a símbolo de descuido ambiental.

As notícias das últimas semanas aceleraram um processo que vinha ganhando força desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Primeiro foram os incêndios recordes no Pantanal, que se juntaram às imagens do fogo que destrói a Amazônia de forma acelerada desde 2019. Em seguida vieram as decisões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que tiraram a proteção de manguezais e restingas.

Um Brasil – Covid-19 é uma catástrofe política, diz Richard Horton

A pandemia causada pelo covid-19 ultrapassa o tema da saúde ao escancarar as desigualdades das sociedades que deixam as pessoas vulneráveis à doença, além do despreparo dos governos para lidar com a situação. Na entrevista concedida ao canal UM BRASIL – uma realização da FecomercioSP –, o editor-chefe da revista científica sobre medicina The Lancet, Richard Horton, compara esta experiência a um espelho.

“Estamos ainda nos primórdios desta epidemia e podemos ver milhares de pessoas em praias, mas, quando houver um ressurgimento da infecção e mais pessoas morrerem, será uma dura lição a ser aprendida. Acredito que esta pandemia seja uma provocação moral para cada um de nós, para cada país e para o mundo. É como um espelho que foi posto diante de nós, e pudemos ver o nosso reflexo nele bem claramente pela primeira vez em muito tempo”, diz Horton.